…e hoje, eu cresci.

Sim, hoje eu cresci. Envelheci talvez, criei mais juízo, quem sabe, mas alguma coisa mudou.

Posso afirmar que essa coisa de crescer, virar gente grande já tinha acontecido, afinal depois de descobrir dolorosamente os sisos, carregar dois diplomas, morar há 7 anos fora de casa e estar a 3 anos para entrar na casa dos 30 são vestígios mais que suficientes para me lembrar da maioridade.

Mas hoje aconteceu algo estranho. Depois de um tempinho longe da minha cidade natal e mais outro tempinho sem rever meus amigos, resolvi ir a um pequeno encontro com a maioria deles.

Aproveitando a fartura da noite de natal começamos a jogar papo fora ao som de castanhas, nozes e amêndoas sendo quebradas junto de mais uma infinidade de comida. Numa típica noite quente e estrelada de interior todos estavam para fora de casa, sentados em roda e além de uma cervejinha rolava até um tereré.

Inevitavelmente no meio de toda conversa chegamos às lembranças da adolescência. O assunto começou com as mudanças no visual de cada um. Tudo foi avaliado desde roupa e principalmente cabelo. Passamos então para os ídolos pops da época e constatamos que era uma roda na qual Menudos, dominó, backstreet boys e chiquititas ocupavam um lugar de destaque na memória de alguns.

Logo depois desse assunto começamos a lembrar das férias anteriores nas quais eram extremamente recheadas de programas alternativos que a criatividade de morar numa pequena cidade de interior estimula. Fazer sopa com todos os legumes que tem em casa para tentar uma dieta, ser acordado as nove da manhã para fazer bala baiana e ainda gastar 1,5 de açúcar para descobrir que a receita não é tão simples assim e requer uma certa prática, frango agridoce, carnavais em panorama, macarrão, e papos intermináveis na avenida Jurema pela madrugada afora.

Ahh aquela esquina. A esquina da casa da Amanda….sim a mesma Amanda que agora está no seu quarto mês de gestação.

E foi depois de tudo isso que o universo congelou por um minuto que pareceu 20 anos e eu andei por todas as lembranças e pensei:

– O quê? A Amanda está grávida? Como assim, a Amanda? Aquela doidona (como diria minha avó) que embarcava em todas as roubadas e aventuras comigo e com o Xande, mesmo quando a maioria desistia.

E a esquina? Aquela que a gente ia só pra conversar, íamos só por não ter aonde ir, íamos para jogar truco/tomar tereré/comer pipoca/falar mal dos outros/e falar merda…muita merda.

Foi nesse momento que me dei conta que acabou. Já sabia que nossos encontros (cada vez mais esporádicos) não iam ser na esquina da casa da Amanda e nem ia ter a turma toda junto, mas hoje me deu um certo medo, uma certa nostalgia ou saudosismo pesado e um pouco triste afinal eu cresci. Sim virei gente grande (que as vezes é sinônimo de  gente chata. E eu lembrei daquilo tudo com saudade.

Não vai acontecer mais por que o tempo não vai permitir. Por que o falar merda não vai ser espontâneo pela preocupação do uso consciente do 13º salário vai atrapalhar ou o pagamento do IPVA. Aquela sensação que o tempo é bem generoso e vai nos deixar dormir até 12:00 horas do outro dia mesmo estendendo o papo até as 04:00 da manhã não vai ter por que as férias da maioria não duram os 30 dias e sim um ou dois depois do ano novo e temos que voltar para nossas vidas de gente grande que paga conta, vive estressada e tem que administrar suas próprias casa/vida.

Vou tentar, entre tanto saudosismo e nostalgia, terminar esta texto pensando que Freud ficaria feliz por cada fase ter vindo no seu tempo e que ela foi bem, mas muito bem aproveitada e que a maturidade dos quase 30 nos faz perder muitas inseguranças do passado e aproveitar as coisas de uma maneira melhor (será?)

O que vai ficar é certeza de que os amigos ainda estarão ali, não na esquina da casa da Amanda mas em São Paulo, Atibaia, Presidente Prudente, Marília, Estados Unidos, Curitiba, Iacri, Rio de Janeiro…sempre com um sorriso para uma piada que só a gente vai entender.

Crescer é inevitável. Perder o espírito jovem, ficar entediantemente sério é opção.

E para terminar tenho uma pessoa que fala por mim. Magistralmente Olavo Bilac diz:

“Para sempre é muito tempo. O tempo não para. Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo.”

naquela cidadezinha pequena, naquela esquina.

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Sobre vidarealinventada

Chato, curioso e inconstante.
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3 respostas para …e hoje, eu cresci.

  1. Amigo, muiot linso seu texto…com certeza dá muita saudade mesmo daquela época e crescemos.
    Sinto tanta falta de todo mundo, mas…
    Beijos…amei mesmooo….Te Amoooo

  2. Melina disse:

    Feeeeeeeerr q saudade!!!!!!!
    Esqueceu dos nozinhos..auhauhauahuha…da noite das caipirinhas…dos churrascos….das coreografias……dos luais..rsrsrs…..Tempo bom que agora vai ficar na lembrança, mas uma lembrança doce e alegre
    “Saudade é o amor que fica” e vai ficar pra sempre dentro da memória e coração de cada um de nós.

  3. Alexandre Pereira Costa disse:

    Pois é querido e grande amigo…Lindas palavras que me consomem e deixam os meus olhos cheios de lágrimas…rsrsrsrs…faltou citar as confissões e revelações…tais que só confirmou como a amizade dessa turminha que já causou tanto barulho em Iacri city é tão forte, e mesmo tendo tantas divergências, podemos dizer que verdadeira!!!Nossos momentos agora estão guardados no peito e também no pen drive…rsrsrs…
    “AMIGO é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito…”

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