Mary and Max

É notório como cada vez mais me interesso e me torno fã das animações atuais.

Depois de Coraline e o mundo secreto achei que não veria um longa de animação muito bom tão cedo… mas foi por uma indicação (ótima) via twitter que assisti MARY AND MAX numa noite de sábado sem outras boas opções.

Falar dos prêmios do longa metragem feito em Stop Motion é realmente plano de fundo perto da grandiosidade da história.

Mary and Max narra a história de dois personagens de mundos totalmente diferentes e que apesar disso compartilham de algumas angústias e agruras da vida.

Mary é uma garotinha de 8 anos que vive na Austrália numa casa na qual seu pai é empregado duma fábrica de pregar cordões em saquinhos de chá e sua mãe é  uma decadente figura assolada pelo alcoolismo e pela depressão. Já Max é um novaiorquino de 44 anos que vive recluso em seu apartamento sofrendo de um mal chamado Síndrome de Asperger, com seus vícios e animais de estimação.

Um dos grandes lances do filme é se pegar imaginando como dois universos tão distintos podem se entrelaçar no desenrolar da história.

No começo se imagina uma daquelas animações inocentes e engraçadinhas feitas para as crianças e que nós, adultos, adoramos dar boas e soltas risadas, porém o que vemos é um drama cômico, daqueles que você ri com um nó na garganta, se perguntando se era para ser apenas ficção ou se o mundo realmente é assim.

A profundidade do roteiro e as duplicidades do que se narra com o que se mostra fazem do filme uma grande obra cheia de ironias como é a vida do lado de cá da tela.

Não quebrando nossas expectativas, Mary and Max, por ser uma animação (gênero até então muito utilizada para o público infantil) trata magistralmente do tema amizade, mas retrata também um mundo doente, com pessoas doentes, cheias de fobias e vícios que, ora ou outra, servem de válvula de escape para os medos e problemas.  Fala de sexo, amor. Mostra o individualismo que nos faz acostumar com as pequenas doses (ou quase nenhuma) de contato com a família, com os vizinhos, com os amigos.

A cidade grande e a cidade pequena, o velho e o novo, o sadio e doente, o amor e a desilusão, proximidade e a distância completam a duplicidade de uma menina que “vê” tudo em tons de marrom com um senhor que “vê” tudo em preto e branco.

Com uma trilha sonora emocionante e um roteiro de uma profundidade gigante, cabe ainda falar que as dublagens dos personagens principais ficam por conta de Toni Collette e Philip Seymour Hoffman.

Numa época em que as frágeis amizades nascem de um ADD e morrem num BLOCK ou DELETE, é inspirador ver uma obra baseada em fatos reais de uma amizade que nasceu através de cartas.

PS. Mary and Max foi a grande pedida do sábado.

PSS. Como disse a escritora Ethel Mumford: “Deus nos dá familiares. Ainda bem que podemos escolher nossos amigos”.

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Sobre vidarealinventada

Chato, curioso e inconstante.
Esse post foi publicado em animação, Quase cult, Vida real e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Mary and Max

  1. Cris disse:

    Vou passar seu blog para o meu irmão. Sério vcs me indicam as mesmas animações sempreeeeeeeeeee! Ainda vão me viciar igual! beijos

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