A PONTE

Ontem assisti a um documentário que há tempos gostaria de ter visto.

O primeiro contato foi numa dessas madrugadas insones em que eu mudava de canal sem achar nada que fosse realmente digno de atenção e que imobilizasse meu dedo impedindo o próximo toque para o próximo canal.

A primeira cena era de um rapaz de cabelos compridos que se esvoaçavam muito com o vento. Ele estava em cima de uma ponte; a Golden Gate bridge. Alguns segundos depois de suspense e angústia de vê-lo andar de um lado para o outro e observar a altura entre a ponte o a água você fica pasmado com a cena que em segundos é protagonizada pelo mesmo rapaz. Não mais que de repente ele sobe na grade de proteção e salta de costas num veloz e eterno voo para a morte.

O programa era um daqueles que discutem temas como roubos, morte, família etc na madrugada e as pessoas ligam para dar suas opiniões.

Depois desse dia fiquei curioso para ver o tal documentário no qual o programa de TV tinha pegado as cenas.

O documentário chamado The Bridge foi produzido no ano de 2006 por Eric Steel e fala sobre a delicada e complicada temática do suicídio

Confesso que foi menos do que esperava talvez pelo fato de ter lido anteriormente, em outro blog, uma crítica que dizia que faltava profundidade na obra. Realmente esperava que me tocasse mais.

Ainda assim, algumas coisas são difíceis de serem processadas pelas nossas mentes como por exemplo:

– tentar achar alguma lógica ou racionalidade em um cara que fala que para algumas pessoas o corpo é o refúgio ou lar da alma, mas no caso dele era uma prisão;

– uma avó que sabia do caminho, que cedo o tarde o seu neto ia tomar, e pede para ele não fazer antes de se despedir dela e que ele colocasse o número do seu telefone no bolso, dentro de um saco plástico para ligarem quando o corpo dele for encontrado depois da queda da ponte;

– a naturalidade (talvez essa não seja a palavra) de um pai que responde ao filho que suicídio não é pecado, que isso é apenas coisa que os homens inventaram e que ele acha apenas que Deus não o fará responsável por uma coisa que ele não sabe lidar. O filho sai dizendo que não sabe se voltará e se não voltar ele estará em paz. Isso depois de um mês de pesquisa na internet sobre suicídios na ponte.

Sem julgamentos de valor, é no mínimo assustador como as doenças modernas do século estão tão mais presentes e tem efeitos devastadores e que a incompreensão é um dos piores remédios.

A simbologia da ponte e de seus significados já daria um documentário à parte.

Assistam e reflitam.

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Sobre vidarealinventada

Chato, curioso e inconstante.
Esse post foi publicado em Quase cult e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para A PONTE

  1. bruno disse:

    Também me surpreendi com o conformismo de alguns ali, como se o suicídio fosse uma doença terminal, com fim inevitável ou algo assim.
    Interessante como os mais idosos conseguem simpatizar com alguns jovens que pensam em se matar, enquanto os próprios amigos jovens ficam com raiva ou não entendem.

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